Fique por Dentro

Programa de Tratamento dos Tumores do Peritônio do  Centro de Oncologia do Hospital Português do Recife .
Superação de uma fronteira na Oncologia .
Dr. Eduardo Miranda
Cirurgião Oncologista da Clinica UNIONCO
Professor de Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas - UPE

Foi realizado no Centro de Oncologia do Pavilhão João de Deus  do Hospital Português , em Recife  , em associação com a Clínica UNIONCO, um procedimento complexo e avançado na Oncologia atual. Ocorreu no dia 17 de Janeiro de 2015, constando de uma Cirurgia Citorredutora associada a Quimioterapia Hipertérmica Intraperitoneal (CRS-HIPEC) para tratamento de uma paciente de 52 anos residente no sertão de Pernambuco,  portadora de tumor maligno do abdome denominado Mesotelioma Peritoneal. A equipe  médica foi  constituída pelos cirurgiões oncologistas Dr. Eduardo Miranda , Dr Rogério Santos e Dr Thales Paulo , além do anestesista Dr Carlos Augusto, do perfusionista Ailton Correia e da instrumentadora Kilma Miranda. Também participaram da equipe o intensivista Dr . Eduardo Couto e a oncologista clínica Andrezza Santos. A cirurgia decorreu dentro da  programação estudada  para o caso , foi feita retirada completa do tumor e realizada quimioterapia intra-abdominal à temperatura de 42 o C, segundo planejado. A  paciente teve alta Hospitalar no 9º dia de pós – operatório em boas condições clínicas, após uma evolução  pós-cirúrgica sem  intercorrências .
Essa mesma equipe, acrescida do cirurgião oncologista Dr. Mario Rino ,que também faz parte do grupo  atual, realizou a primeira série de procedimentos dessa natureza no Norte-nordeste do Brasil  em 2008.
Desde então, foram aprimorados os estudos referentes a esse importante tema, aperfeiçoados os métodos de sua aplicação e reforçada a importância de sua indicação .
O Hospital Português do Recife, em fins de 2013, encampou a ideia de constituir um estruturado e avançado Centro de Tratamento de Doenças do Peritônio e sistematizar a realização da  CRS-HIPEC . Houve uma longa e minuciosa preparação de sua estrutura física e de recursos humanos especializados para essa importante e complexa missão. Muitos participaram desse esforço. Destaco o Gerente do Complexo de Blocos Cirúrgicos do Hospital, o cirurgião Dr. Luiz Domingues, a enfermeira chefe Avânia de Melo  e sua equipe , o Coordenador  das UTIS, Dr. Cristiano  Hecksher  e todo o grupo  de Oncologia, que se envolveu profundamente com esse projeto.
O Hospital Português proveu, em sua totalidade, a extensa lista de materiais e equipamentos solicitada, constando de bisturis de alta frequência, equipamentos de aquecimento do paciente e ultrassonografia  transoperatória. Também foram  utilizados um sistema de aquecimento para hipertermia intracavitária, e meios de prevenção de acidentes tromboembólicos, entre inúmeros outros itens. A documentação em gravação de alta resolução também foi realizada, o que permite a discussão científica do caso e programas de treinamento futuros. A infraestrutura e equipe médica altamente qualificada da UTI do Pavilhão João de Deus, que conta com recursos essenciais como tromboelastograma e Ultrassonografia para medida da veia cava, tiveram um papel essencial nesse contexto.

 O tratamento dos tumores primários do peritônio e das neoplasias que se instalam de maneira secundária nessa localização , ao que se denomina , genericamente, de carcinomatose peritoneal, é uma importante fronteira na Oncologia e um grande desafio na nossa especialidade.
Atualmente os pacientes que, comprovadamente se beneficiam do tratamento com os recursos mais avançados nessa área são os portadores de Mesotelioma peritoneal, tumores do apêndice e do ovário denominados Pseudomixomas e tumores do Intestino Grosso com disseminação para o peritônio. Alentadoras perspectivas também foram obtidas nos casos de tumores de ovário em determinadas situações e nos tumores do estômago em casos selecionados.
Essa doença, que há poucos anos era considerada inexoravelmente fatal em um período que  se contava em meses, hoje pode ser controlada por longos períodos e, em muitos casos, definitivamente .
Como resultado de décadas  de pesquisa básica e clínica, o interesse científico  nessa doença  resultou na prática médica atual, possibilitando imenso benefício a pacientes devidamente  selecionados. Eles são tratados com intenção curativa, em todo o mundo, em centros especializados e dedicados  com uma combinação terapêutica  que consiste em Cirurgia Citorredutora (CRS) associada , em um mesmo momento, a Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica (HIPEC).
O tratamento das neoplasias do peritônio emergiu como uma área distinta da Oncologia, com um sólido e progressivo acervo de conhecimento nas áreas de pesquisa, patologia , cirurgia e quimioterapia regional.
Dessa maneira, a partir do ano de 2005, iniciamos na Clínica UNIONCO, em Recife, um programa de estudo e treinamento  com o objetivo de criar um Centro de Referência no Tratamento das Neoplasias do Peritônio. Foi formado um grupo de médicos de diversas especialidades ligadas à Oncologia além de  enfermeiras e outros profissionais de áreas correlatas que passaram a se aprofundar no tema e consolidar a perspectiva de um programa consistente nessa área. Além de estudos sistemáticos da literatura referente a esse tema, participamos de eventos internacionais nessa área e frequentamos centros de referência brasileiros e  mundiais dedicados a esse assunto .
Inicialmente visitamos o Washington Câncer Institute  e acompanhamos cirurgias realizadas pela maior autoridade mundial no assunto e verdadeiro criador da técnica,  Dr. Paul Sugarbaker. Depois visitamos o Serviço do Prof . Jean Marc  Bereder , no Hospital L’Achert 2 em Nice, França, médico que fez as primeiras   publicações  sobre  CRS-HIPEC para tratamento dos tumores do ovário  com número de pacientes expressivo. No Brasil visitamos o Serviço do Prof. Eduardo Akaishi  no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, brasileiro que detém grande experiência no assunto e primeiro a publicar, em revista internacional,  uma casuística de mais de 100 casos. Também, por mais de uma vez, visitamos e acompanhamos cirurgias no Hospital do Câncer A.C. Camargo, de São Paulo e observamos a extensa experiência dos Profs. Ademar Lopes e Fabio Ferreira.
Também nos esforçamos para dar um cunho acadêmico e experimental a nossos estudos e, dessa maneira, defendemos em 2012 a tese de doutorado na UFPE denominada “Efeito Antineoplásico do Extrato Aquoso do Plectranthus Amboinicus na Forma Ascítica do Carcinoma de Erlich”, a qual foi publicada em importante revista internacional (Journal of Cancer 2013; 4(7): 573-576).
A nossa sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), consolidada entidade da qual todos fazemos parte, na sua Regional Pernambuco, sempre incentivou a discussão e troca de experiências sobre CRS-HIPEC nos diversos estados do Brasil.
Mas ainda há imensos desafios a vencer. O procedimento não consta dos códigos da ANS ou dos convênios médicos. Também o SUS não contempla , no momento , esse procedimento. São necessários recursos judiciais , na maioria das vezes , para se realizar a técnica. Mas a CRS-HIPEC se impõe, irreversivelmente, como um recurso fundamental na Oncologia moderna  que pode salvar muitas vidas e resgatar pacientes até então sem qualquer perspectiva de tratamento eficiente.

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