Câncer - O que é?

Centenas de milhares de brasileiros são diagnosticados com diferentes tipos de câncer a cada ano. O número de casos novos vem aumentado nas últimas décadas, bem como o número de mortes. Em algumas cidades do Brasil, alguns tipos de câncer vêm mostrando tendências de redução da mortalidade, o que pode indicar melhorias nas ações de controle, especialmente a detecção precoce (identificar o câncer o quanto antes possível) e o tratamento imediato, sem demora.

 

1. O QUE E CANCER?
Nosso corpo físico é formado por um número extremamente grande de células, agrupadas em tecidos e órgãos. O câncer começa nas células de diferentes tecidos. Habitualmente as células de nossos tecidos e órgãos estão em constante processo de renovação, isto é, as células envelhecidas ou defeituosas são substituídas por novas células, num processo programado por nossos genes.
Em algum momento, este processo organizado, controlado e regulado pode dar errado. Algumas células podem não envelhecer e mantem-se em multiplicação não controlada, algumas células novas podem aparecer em lugares em que não são necessárias, entre outras alterações.
Este excesso de células, acumuladas em tecidos ou órgãos é chamado de tumor, e podem ser benignos ou malignos.
Tumores benignos e tumores malignos
Os tumores benignos não são cânceres, e suas características são: raramente causam a morte de um indivíduo, geralmente são facilmente removidos e dificilmente crescem novamente no mesmo lugar, geralmente não invadem tecidos vizinhos e não se espalham para outras partes do corpo.
Os tumores malignos, também chamados de cânceres, são mais perigosos que os tumores benignos e podem ameaçar a vida de indivíduos. As características do câncer são: podem ser removidos mas não é incomum voltarem a crescer no mesmo local, podem invadir tecidos vizinhos e órgãos e podem crescer em lugares distantes do local primário de aparecimento (metástases).

 

Definição da denominação de um câncer

A maioria dos cânceres recebe a denominação dos órgãos e tecidos onde surgiram (p.ex. câncer de mama, pulmão, estômago, etc). Linfoma é o câncer que começa no sistema linfático, enquanto que a leucemia é o câncer que começa nos glóbulos brancos do sangue (leucócitos). Quando um câncer invade tecidos ou órgãos distantes, ele geralmente permanece com as características celulares do tumor primário (inicial) e são chamados pelo nome do tumor primário acrescido do sufixo metastático. Por exemplo, um câncer de próstata que invade os ossos da pelve (bacia) é chamado de câncer de próstata metastático e não câncer dos ossos da bacia.

Formação de um câncer
Em geral o processo de formação do câncer é demorado (anos), mas existem cânceres em que o tempo entre o início do crescimento celular e os primeiros sintomas é de meses ou semanas.
Classificação dos cânceres
Habitualmente os cânceres recebem várias classificações. Podem ser classificados em tumores de adultos e de crianças (pediátricos). Podem ser classificados como tumores sólidos (de órgãos como pulmão, estômago, mama) e líquidos (como os linfomas e leucemias). Podem ainda serem classificados como indolentes (de crescimento lento) ou agressivos (de crescimento rápido). Independente da classificação empregada é preciso entender que existem mais de uma centena de tipos de câncer, e mesmo um tipo específico como o câncer de mama, pode ter dezenas de subtipos, cada um com características biológicas e clínicas diferentes.
O câncer é essencialmente uma doença genética, ou seja, todo câncer resulta de um dano ao DNA (componente estrutural das células) induzida por fatores internos e externos ao organismo. Estes danos representam mutações em genes geralmente responsáveis pela regulação da multiplicação celular.
A maioria dos cânceres é esporádica, isto é, aparece de mutações adquiridas ao longo da vida. Entretanto, um percentual pequeno (em torno de 5%-10%) é provocado por genes modificados que foram herdados de nossos antepassados (herança genética).

 

2. FATORES DE RISCO
Geralmente os médicos têm dificuldade em explicar porque algumas pessoas têm câncer, enquanto outras não têm. O que faz algumas pessoas terem câncer e outras não, é uma complexa relação entre fatores que protegem o organismo contra o câncer e fatores que induzem a formação de câncer. Estes últimos fatores são também denominados de fatores de risco, pois aumenta o risco de um indivíduo ter câncer, uma vez presente no cotidiano destas pessoas.
Os fatores de risco para os principais tipos de câncer são: envelhecimento, consumo de cigarro (ou derivados do tabaco), radiação solar (ou radiação UV), radiação ionizante (radiação produzida por substâncias radioativas), consumo de álcool, certos vírus e bactérias, alguns produtos químicos, alguns hormônios, herança familiar genética, excesso de peso/dieta inadequada e sedentarismo.
Alguns destes fatores podem ser modificados (ex: excesso de peso), outros não (herança familiar e envelhecimento). Durante um longo período de nossas vidas, um conjunto de fatores de risco atua simultaneamente ou em diferentes períodos de tempo para aumentar o nosso risco de desenvolver um câncer. Estima-se que se eliminarmos o consumo de cigarro, investirmos na manutenção de um peso ideal, na prática de uma atividade física regular e em uma alimentação equilibrada, seja possível reduzir em 30% os casos de câncer na população.
Também é importante sabermos que nem tudo causa câncer. Câncer não é causado por uma pancada ou batida e não é contagioso. Ter um ou mais fatores de risco não implica que teremos câncer. Algumas pessoas são mais sensíveis que outras para determinados fatores de risco.

O consumo de tabaco e o câncer

O consumo de cigarro (e derivados do tabaco), além de provocar o câncer, aumentam as chances de adquirir outras doenças e de ter uma morte prematura por estas doenças. A exposição à fumaça de cigarro pelos fumantes passivos aumenta o risco de câncer nesta população. Os principais cânceres relacionados ao cigarro são cânceres de pulmão, laringe, faringe, bexiga, boca, esôfago, colo do útero e estômago. Parar de fumar diminui o risco de ter câncer, mesmo que você já tenha fumado por muitos anos. Mesmo os pacientes com câncer, parar de fumar melhora o prognóstico em alguns cânceres e diminui o risco de ter outro câncer. Hoje em dia existem diversos programas de cessação do tabagismo, sejam em instituições públicas ou privadas.

 

Bactérias e vírus e sua relação com o câncer
Certos germes, como bactérias e vírus, podem aumentar o risco de ter alguns tipos de câncer. Por exemplo, alguns subtipos de vírus HPV (HPV 16 e 18) aumentam o risco de câncer do colo do útero em mulheres portadoras de infecções crônicas por estes subtipos. A hepatite crônica pelos vírus da hepatite B e C aumenta o risco de câncer de fígado. A infecção crônica pela bactéria Helicobacter Pylori aumenta o risco de câncer de estômago e linfoma no estômago.
Algumas mutações provocadas por diferentes fatores de risco podem comprometer as nossas células germinativas (espermatozoides e óvulos). Estas mutações podem ser transferidas para o embrião e estarão presentes em todas as células do corpo (células somáticas) no momento do nascimento. É pouco comum que um câncer seja provocado por uma herança genética familiar, entretanto, existem algumas famílias com maior risco de ter câncer em comparação com outras. Alguns cânceres, como melanoma, câncer de mama, ovário, próstata e intestino (cólon), acometem determinadas famílias. Vários casos de um mesmo câncer na família podem sugerir uma herança familiar. Entretanto, invariavelmente existe a contribuição de fatores ambientais, portanto, na maior parte das vezes, história de vários casos de câncer numa mesma família é mais uma questão de chance (acaso) do que herança familiar.

 

Alimentação e consumo de álcool
Em relação aos alimentos e dieta, os médicos, geralmente, recomendam uma dieta balanceada, manter o peso e não consumir álcool. Não existe uma dose segura de álcool em relação ao risco de câncer. Em relação à dieta, recomenda-se frutas, verduras e legumes em pelo menos cinco porções ao dia. Também é recomendável diminuir os alimentos ricos em gordura (principalmente frituras e carne vermelha). Quanto à atividade física, o ideal é manter uma atividade regular de média intensidade (como uma caminhada de 30 minutos pelo menos 5 vezes por semana).

 


3. COMO E FEITO O DIAGNOSTICO?
Se você tem algum sinal ou sintoma suspeito, ou se você realizou um exame de rastreamento que apresenta alterações (exame positivo), é conveniente fazer uma investigação clínica para confirmar, ou não, a presença de um câncer. No caso de exames de rastreamento alterados, a grande maioria (cerca de 90%) dos exames alterados não confirma ser câncer. Os achados mais frequentes são alterações benignas, alterações fisiológicas (fazem parte do funcionamento normal do indivíduo) ou são exames falso-positivos (exames positivos em indivíduos sadios). No caso de sinais e sintomas suspeitos, a probabilidade de encontrar um câncer é maior, mas mesmo assim, na maior parte das vezes, o diagnóstico de câncer não é confirmado.
Exames complementares
Frequentemente, é realizada uma entrevista com um médico que analisa a história familiar e pessoal de saúde e solicita alguns exames complementares. Estes exames complementares em geral são: exames laboratoriais (exames de sangue, urina e, eventualmente, análises de algum fluido corporal. Outros exames muito solicitados são os exames de imagem, como Raios X, Tomografia Computadorizada, Ultra-sonografia, Ressonância Nuclear Magnética e outros.
Confirmando um caso de câncer – Biópsia
Os exames histopatológicos de tecidos ou órgãos são necessários para confirmar um caso de câncer. Estas amostras de tecido são provenientes de biópsias, onde um médico retira um pequeno fragmento e encaminha para análise microscópica de um patologista. As biópsias podem ser feitas por agulha, por meio de uma endoscopia ou por meio de uma cirurgia. As biópsias realizadas por cirurgia podem retirar todo o tumor ou apenas parte dele.
A análise microscópica das amostras de biópsias demoram alguns dias e podem utilizar diferentes técnicas para confirmar ou não a presença de câncer.

 

4. TIPOS DE TRATAMENTO
O período que antecede ao tratamento do câncer, geralmente, é muito estressante para os pacientes e familiares. Para enfrentar este período com maior lucidez e capacidade de entendimento, é preciso um conhecimento básico dos principais tipos de tratamento oferecidos aos pacientes com câncer.
Antes de iniciar qualquer tratamento, não é incomum solicitar ou procurar uma segunda opinião sobre o diagnóstico e o tratamento recomendado. Apesar de não ser uma prática comum no Brasil, um pequeno atraso no início do tratamento para elucidar dúvidas e confirmar a estratégia de tratamento pode oferecer maior segurança aos pacientes e familiares.
Geralmente, o tratamento está relacionado com o tipo de câncer e o estadiamento da doença. Também são considerados a idade do paciente e o estado geral do mesmo. O objetivo do tratamento é, habitualmente, curar o câncer, mas em algumas situações é possível controlar os sintomas e aumentar a sobrevida do paciente quando a doença é incurável. Podem ocorrer mudanças no tratamento em função do comportamento da doença ou da resposta do paciente em relação ao tratamento efetuado (principalmente relacionado à toxicidade do tratamento).
A maior parte das estratégias de tratamento inclui métodos como a cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia e a hormonioterapia. Recentemente, nos últimos 10 anos, incorporaram-se os tratamentos biológicos, como os anticorpos monoclonais e o transplante de medula óssea. Alguns tumores malignos respondem bem a apenas uma estratégia de tratamento, enquanto outros tumores necessitam de um tratamento combinado.
Os tratamentos podem ser locais ou sistêmicos. A cirurgia e a radioterapia são considerados tratamentos locais, pois atingem somente a área comprometida pelo tumor. A quimioterapia e hormonioterapia são considerados tratamentos sistêmicos, pois os agentes químicos atingem todas as partes do corpo por meio do sistema circulatório.
Frequentemente, o tratamento lesa as células normais do organismo. Estes efeitos colaterais do tratamento dependem do tipo e extensão do tratamento, são diferentes entre indivíduos (cada paciente tem um certo grau de tolerância ao tratamento) e podem mudar entre uma sessão de tratamento e outra.
Antes de cada tratamento, é comum que a equipe multiprofissional explique ao paciente os principais efeitos colaterais do tratamento e como eles podem e devem ser minimizados. Esta equipe multiprofissional inclui médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, entre outros.

 

5. ATIVIDADE FISICA E NUTRIÇAO
É importante que o paciente com câncer se mantenha ativo e se alimente com qualidade para manter um aporte calórico necessário e um peso ideal. Durante ou após o tratamento, o paciente pode se sentir desconfortável, cansado ou sem apetite, porém existem medidas para atenuar estes sintomas e propiciar um sentimento de bem estar prolongado. Os nutricionistas são os profissionais de saúde mais especializados e capacitados em fornecerem informações e suporte para que o paciente se alimente melhor.
Muitos pacientes sentem-se melhores quando mantêm uma atividade física regular. Atividades como nadar, caminhar, praticar Yoga e outras atividades físicas podem manter o paciente saudável e aumentar sua energia. A atividade física pode melhorar dores e náuseas relacionadas ao câncer e reduzir o estresse relacionado ao tratamento e à doença. Antes de começar ou manter uma atividade física regular, consulte seu médico. Se suas atividades físicas regulares provocam dor ou pioram algum sintoma, não deixe também de comunicar ao seu médico.

 

ANCP / Novembro de 2009

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